There are mornings with buses
buzzing in the morning
and nothing else
Mornings for reading and thinking and
admiring, with nothing and everything
to worry about
45 minutes
of pure bliss
and nothing else
*
- Marco Tonanni
09/01/2019
segunda-feira, 11 de maio de 2020
No One
You
remind me of
no one
No one curious
or ingenious
or with that shimmer on their eye
with knowledge newly found
No one hideous
or gorgeous
or with that beautiful line on the
corner of their mouth
No one boisterous
or hilarious
or with that special and quiet
charm when in a crowd
No one pious
or devious
or with that particular view of what
should and shouldn't be allowed
I could go on
but truth is
that much and many remind me of
you and only you
Whomever you be
never forget
your own poetry
*
- Marco Tonanni
11/05/20
remind me of
no one
No one curious
or ingenious
or with that shimmer on their eye
with knowledge newly found
No one hideous
or gorgeous
or with that beautiful line on the
corner of their mouth
No one boisterous
or hilarious
or with that special and quiet
charm when in a crowd
No one pious
or devious
or with that particular view of what
should and shouldn't be allowed
I could go on
but truth is
that much and many remind me of
you and only you
Whomever you be
never forget
your own poetry
*
- Marco Tonanni
11/05/20
A Bar
There was a bar
in the way
of
everyday
Men and women and
fairies
inhabited
that bar
Magic everyday
I passed
by
Closed withou a
hi
or even goodbye
*
- Marco Tonanni
09/05/20
in the way
of
everyday
Men and women and
fairies
inhabited
that bar
Magic everyday
I passed
by
Closed withou a
hi
or even goodbye
*
- Marco Tonanni
09/05/20
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Um Dia no Parque (que talvez nunca aconteça)
Em um futuro nada distante, porém improvável... podemos observar uma criança rindo como só é possível nessa tenra idade cheia de inocência. Ela deve ter por volta de cinco anos e se encontra de braços abertos e olhos fechados, sentindo o vento acariciar-lhe o rosto enquanto seu pai corre com ela sobre os ombros pelas veredas do parque. Um pouco preocupada e tentando esconder o sorriso no canto do rosto, a mãe segue os dois, como se, de alguma forma, seu vigiar carinhoso fosse capaz de impedir que qualquer mal lhos atingisse.
Essa é a primeira vez que a criança vai ao parque com seus novos pais. Novos pois eles lha adotaram em um improvável futuro ainda menos distante... ou seria mais apropriado relatar que em um passado muito próximo, do ponto de vista temporal da imagem observada? Seja como for, e em nome da claridade, deixemos de lado essas elucubrações temporais por um instante, e digamos que a criança estava com seus novos pais há apenas três semanas. Três semanas, tão pouco tempo, mas que contém em si as sementes para grandes mudanças na vida dos três familiares.
O pai por muito tempo quisera ter filhos, já a mãe não. Devido a essa discordância de opiniões, a questão foi deixada de lado durante anos, não saberíamos dizer exatamente quantos, é possível que nem eles saibam... Foi apenas após seu casamento que a questão voltou a surgir, inicialmente como uma inquietação por parte do pai, que, aos poucos, foi transmitindo-a a sua então cônjuge, quiçá como a mais bela das doenças. Assim chegou um dia em que, acometidos por essa moléstia paternal, após muito ponderar, esposo e esposa decidiram por adotar uma criança para criarem como sua. A decisão não fora feita sem preocupações, criar uma criança, adotá-la, era algo que continha em si muitas incertezas. E se eles não se adaptassem a vida como pais? E se a criança nunca se adaptasse a eles? E se... eram tantas incertezas, mas havia uma certeza maior do que todas elas, a criança seria filha deles, e eles agiriam de acordo.
A criança, por sua vez, era incapaz de lembrar se algum dia havia ido a um parque. Com seus cinco anos, ela já começara a adentrar aquela idade em que nossas memórias mais antigas começam a se tornar difusas. Se formos sinceros, nas três semanas em que estivera com seus novos pais ela não havia se preocupado muito se um dia houvera ido a um parque ou não, nem mesmo quando a sugestão lhe foi feita por seus novos pais. Em sua mente de criança ainda conflitavam duas grandes linhas de pensamento, a de que seus novos pais não eram seus 'verdadeiros' pais, mas também a de que seus novos pais se mostravam muito bons para com ela. Dentro daquele pequeno cérebro, essas duas grandes linhas rodopiavam em uma espiral, e sua síntese era uma grande desconfiança. Afinal de contas, seus antigos pais haviam sido bons para ela também - ou assim ela imaginava, pois, embora não tivesse muitas memórias deles, em sua mente, já influenciada por conceitos humanos primordiais e arquetípicos, essa é uma característica inerente ao 'ser pai' - e ainda assim a haviam abandonado, fossem quais fossem as circunstâncias que acarretaram o fato.
Voltemos agora a nos debruçar sobre o presente daquele improvável futuro nada distante em que começamos nosso exercício de observação, um pai correndo com seu filho sobre os ombros, enquanto é acompanhado pela mãe... Os braços abertos e olhos cerrados, o correr feliz e despreocupado, o olhar de cândido carinho e inquietação. Uma cena de grande significado para os três nela envolvidos, embora nada signifique para os muitos outros que dividem o parque com nossos observados. Esse é o momento, ou foi, ou (nunca) será, dependendo do ponto no tempo do qual se observa, em que os três tornaram sua complexa relação algo concreto e perene, embora efêmero como tudo que é próprio do humano. Nesse momento pais e criança sabiam em seu âmago que algo novo se iniciava, o ato de entrega e confiança da criança, reforçado pelo cuidado e amor dos pais, havia servido para apaziguar a síntese de desconfiança do mais novo e os medos e incertezas dos mais velhos. E, embora o dia estivesse nublado, com os muitos tons de cinza e azul que tanto encantavam o pai, os três, naquele momento, presos ao presente, seriam incapazes de pensar em um dia mais luminoso, embora eles provavelmente já lhos houvessem vivido e viessem a viver ainda outros.
A tarde passa para os três com o som de muitas risadas, com palavras tenras e muitos sorrisos e um renovado sentimento de confiança em tudo aquilo. Todas as decisões que levaram até lá, todas as pessoas envolvidas, todos os bons sentimentos, tudo o que vivenciavam. É nessa cena observada que a família verdadeiramente se formou com seus singelos três elos. E mesmo que no horizonte nuvens de chuva se avolumem, a família está prestes a voltar para o conforto de sua morada. Viesse uma tempestade ou não, eles agora sabiam aquilo que seus cérebros já vinham lhes dizendo e construindo há três semanas, eles poderiam contar uns com os outros...
.
.
.
Embora ao julgarmos a cena observada possamos notar uma beleza ímpar, mesmo que mundana, ou, quiçá até, especialmente por isso, ao voltar nosso olhar ao presente em que nos encontramos, pode nos parecer que sua realizabilidade seja improvável. A criança talvez nem exista ainda, tanto como indivíduo quanto como símbolo presente na mente dos pais. O casal, por sua vez, após muitos anos juntos, se separou devido às variadas vicissitudes da vida. No momento nos é impossível emitir uma opinião sobre as chances (ou falta delas) de que um dia eles voltem a fundir suas vidas em uma só.
Poderíamos imaginar, fossemos esse tipo de observadores temporais, muitos outros futuros para os três (ou no presente ainda são dois?), mas não os somos. Portanto, encerremos aqui nosso exercício de observação.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Christopher Lee - An adaptation of the original poem Annabel Lee, by Edgar Allan Poe
It was many and many a year ago,
In a kingdom with lots of tea,
That a knight there lived whom you may know
By the name of Christopher Lee;
And this knight he lived with no other thought
Than to act in the movies we see.
In a kingdom with lots of tea,
That a knight there lived whom you may know
By the name of Christopher Lee;
And this knight he lived with no other thought
Than to act in the movies we see.
I was a child and you were a child,
In a time that was full of glee,
For we loved with a love that was more than love—
The movies of Christopher Lee—
With a love that the other actors of Hollywood
Wanted to have from we.
In a time that was full of glee,
For we loved with a love that was more than love—
The movies of Christopher Lee—
With a love that the other actors of Hollywood
Wanted to have from we.
And thus it was that amidst so much fuss,
In the kingdom with lots of tea,
A wind blew out of a cloud, chilling
Our beloved Christopher Lee;
So that his highborn kinsmen came
And bore him away from we,
To shut him up in a sepulchre
In the kingdom with lots of tea.
In the kingdom with lots of tea,
A wind blew out of a cloud, chilling
Our beloved Christopher Lee;
So that his highborn kinsmen came
And bore him away from we,
To shut him up in a sepulchre
In the kingdom with lots of tea.
The actors, not half so happy in Hollywood,
Went envying our love for he—
Yes!—that was the reason (as all men know,
In this time not so full of glee)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing our Christopher Lee.
Went envying our love for he—
Yes!—that was the reason (as all men know,
In this time not so full of glee)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing our Christopher Lee.
But his awesomenes was greater by far than the awesomeness
Of those who came before than he—
Of many more famous than he—
And neither the angels in Heaven above
Nor the demons down under the sea
Can ever dissever our soul from the soul
Of the amazing Christopher Lee;
Of those who came before than he—
Of many more famous than he—
And neither the angels in Heaven above
Nor the demons down under the sea
Can ever dissever our soul from the soul
Of the amazing Christopher Lee;
For the TV never beams, without bringing me dreams
Of the Dracula of Christopher Lee;
And when stars start to rise, I feel the bright eyes
Of the Saruman of Christopher Lee;
And so, all the night, I lie down by a light
Watching a movie—a movie—in me telly (eating some jelly)—
With his memory that forever will be
In his movies, which we’ll never tire to see.
Of the Dracula of Christopher Lee;
And when stars start to rise, I feel the bright eyes
Of the Saruman of Christopher Lee;
And so, all the night, I lie down by a light
Watching a movie—a movie—in me telly (eating some jelly)—
With his memory that forever will be
In his movies, which we’ll never tire to see.
quinta-feira, 26 de março de 2015
The Burnt Inquisitor is Born - WH 40K
It was during the most traumatic moment of my life that I had the mind-shattering experience of witnessing first-handedly those befouled powers of the Immaterium, my limbs froze and I couldn't express any reaction as I watched the poor quary of the witch being sucked dry of it's life-force in a profane ritual! The very space of reality bent in unnatural ways as the life-force ripped its way to the heretic, it was like a miriad of voices screaming from a faraway place - of which I wish no knowledge, Emperor protect me -, they made the most heinous cacophony of ecstasy and pain... the most soul-shattering sound I've ever had the misfortune to hear...I thought I was gonna lose my sanity as the poor victim bent in itself, becoming a mere husk of the living man it had been just an instant before, and through all that... the mad chuckles of the gluttonous witch gorging itself...
Thank the Emperor deliverance arrived when it did, for I know not what would have become of my mind had I been forced to witness this foul dessecration of reality any longer... I heard a loud explosion as blood smeared the wall, all of a sudden the whole sorcery ceased, blessed reality was itself again as a large blast tore open the witches chest. As it fell I gazed the very face of Salvation, I had no mistake in that, even as the promethium-fuelled flamer burned my tortured flesh I could feel my spirit being uplifted towards the Emperor's salvation by his most gracious servants, the Adepta Sororitas.
By the Emperor's will alone I survived the cleansing of this foul dungeon where I had been kept as fodder for arcane and unholy rituals. The flames might have seared my body, but my Spirit was strengthened and exalted by divine providence. I found my mission as my Soul was touched by the Emperor himself, I was to hunt down heresy in all its forms through the Imperium of Man, bringing his most holy Holyness wrath upon traitors and heretics alike, to cleanse all as I had once been cleansed, fire will purify the true of heart and extirpate the malodorous macule that has been infecting the Imperium for so long.
Thank the Emperor deliverance arrived when it did, for I know not what would have become of my mind had I been forced to witness this foul dessecration of reality any longer... I heard a loud explosion as blood smeared the wall, all of a sudden the whole sorcery ceased, blessed reality was itself again as a large blast tore open the witches chest. As it fell I gazed the very face of Salvation, I had no mistake in that, even as the promethium-fuelled flamer burned my tortured flesh I could feel my spirit being uplifted towards the Emperor's salvation by his most gracious servants, the Adepta Sororitas.
By the Emperor's will alone I survived the cleansing of this foul dungeon where I had been kept as fodder for arcane and unholy rituals. The flames might have seared my body, but my Spirit was strengthened and exalted by divine providence. I found my mission as my Soul was touched by the Emperor himself, I was to hunt down heresy in all its forms through the Imperium of Man, bringing his most holy Holyness wrath upon traitors and heretics alike, to cleanse all as I had once been cleansed, fire will purify the true of heart and extirpate the malodorous macule that has been infecting the Imperium for so long.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
O Relógio de Dorfberg
Era outono na pequena cidade alemã de Dorfberg quando o Relógio deu sua primeira badalada, marcando oficialmente sua inauguração. De cima de sua torre era possível ver toda a cidade reunida na praça, as casas que os cercavam, e, mais além, suas fazendas e montanhas. A calma rotina deste pequeno-grande mundo havia sido abandonada, e lá, em seu centro, as pessoas comemoravam o grande acontecimento, a chegada do novo membro à comunidade.
A festa começou oficialmente com a badalada do meio-dia, todos os homens e mulheres, de todas as idades, haviam se reunido para a grande festa. Enormes mesas foram montadas na praça para que toda a cidade pudesse banquetear junta, como era seu costume em datas importantes. Todos ajudavam, comiam, bebiam, conversavam e se divertiam. Do topo do Relógio era possível ouvir o burburinho de felicidade lá em baixo enquanto as nuvens passavam e o céu azul, depois alaranjado, finalmente ficava escuro, junto com mais uma badalada do Relógio da cidade que anunciava o final do dia e das comemorações.
O próximo dia começou com o Relógio anunciando a chegada do sol, a cidade toda acorda com o cantar do arauto dos astros, as crianças vão à escola e os adultos começam seus trabalhos. Quando o sol já havia percorrido metade de sua jornada diária, o Relógio avisa Dorfberg, que pausa para comer e descansar antes de retomar atividade. O dia continua, o vento vem e vai, as águas do rio na montanha continuam seu incansável caminho, e como no dia da festa o Relógio anuncia o escurecer, e a cidade, juntamente com o sol, volta às suas casas para descansar.
Os dias assim se repetiam, tanto cidade quanto Relógio felizes em sua rotina. De estação em estação um relojoeiro vinha e entrava na torre do Relógio, passava alguns dias lá, e então voltava pela mesma estrada que havia vindo. Muitas e muitas estações se passaram desta forma, sem que houvesse grandes mudanças naquele pequeno-grande mundo. Até o momento em que veio o Primeiro Longo Inverno, muitos homens deixavam a cidade e não voltavam mais, mulheres e crianças choravam ao dar adeus para eles, os que voltavam carregavam pesados fardos com suas cabeças, e alguns tinham as cicatrizes destes fardos cravadas em seus corpos sofridos. Durante este Longo Inverno os relojoeiros pararam de vir visitar o Relógio. Do alto da sua torre era possível ver a melancolia e o desespero como um véu cobrindo Dorfberg, e eventualmente o Relógio também cedeu sob a atmosfera opressora, seu canto começou a sair estranho, como lamúrias pela cidade que amava, até que ele não aguentou mais e silenciou-se, entrando em um longo torpor.
Após várias estações o Longo Inverno finalmente passou, e a cidade começou o seu processo de recuperação. Aos poucos as fazendas se recuperavam, as pessoas sorriam novamente e era possível ouvir piadas e risadas, foi então que a cidade voltou a se preocupar com o seu antigo Relógio. Um dia sem aviso nenhum, ele bradou, não sabia o que nem por que. A cidade toda se surpreendeu com aquele som repentino, que há tanto tempo não era ouvido. No momento desta badalada era possível ver ao longe, da torre do Relógio, um estranho vindo pela estrada. Ele vinha assobiando enquanto andava, usava um chapéu coco e carregava uma grande mala, Zeit era seu nome, ele era o novo relojoeiro, e viera a pedido da cidade para cuidar do antigo Relógio.
Assim que chegou a Dorfberg, Zeit trancou-se na torre do Relógio. Badaladas vinham em horas e de formas inesperadas: longas, curtas, muitas, poucas, com os mais variados sons; até que Zeit finalmente deixou a torre, e anunciou que o Relógio estava restaurado. No dia seguinte o cantar do relógio acompanhou as atividades da cidade, desde o amanhecer até o escurecer, mas cada badalada era diferente, era como se o Relógio expressasse sua própria voz no seu cantar ritmado. Algumas vezes, em dias de chuva pareciam espirros, em dias de sol pareciam com riso, até bocejos quando tudo estava tranquilo. Quando perguntavam para Zeit por que o Relógio fazia tantos sons diferentes, ele sorria e lhes explicava os sentimentos do Relógio. Diferente de seus antecessores, Zeit ficou e abriu uma loja na cidade, onde construía relógios dos mais diferentes tipos. Ele construía relógios-água, relógios-sol, relógios-lua, relógios-estrela, relógios-rocha, relógios-árvore, relógios-terra, e vários outros tipos de relógios, até mesmo os relógios-relógio, quando alguém lhe pedia. Mas nenhum deles cantava como o grande Relógio da cidade.
Estações se passaram nesta aparente calma, mas haviam aqueles que não gostavam de todos esses sons e relógios esquisitos, e muito menos daquele estranho relojoeiro que havia trazido isto tudo à cidade deles. Aos poucos este Grupo começou a crescer, eles convenciam os outros de que Dorfberg precisava de ordem, e de que aqueles relógios eram o oposto disso, infestando sua cidade de uma cacofonia insuportável. Com isso as pessoas foram parando de comprar os relógios que Zeit fazia, os únicos que ainda visitavam sua loja eram as crianças, e mesmo estas começaram a ser proibidas por seus pais de visitá-lo.
A cidade começou a ficar destoante, os relógios mantinham seu cantar rotineiro, mas Dorfberg estava mudando seus hábitos. Do alto da torre do Relógio era possível ver algumas cores dominando a cidade conforme o Grupo crescia, marrom, vermelho, branco e preto, as outras se abrigaram nos arredores, o verde dos campos, o azul dos riachos, e todas as outras cores que se refugiavam junto das flores. O cantar do Relógio entristeceu-se, ele parecia estar com saudade.
Desta forma chegou o dia em que o Grupo foi falar com Zeit, eles queriam que ele parasse de construir todos aqueles relógios estranhos e passasse a construir só relógios-relógio, eles não queriam mais que os relógios fossem arautos dos astros, mas sim contadores das horas, cronometrando cada segundo em silêncio. Zeit recusou-se e passou a ser visto muito pouco, durante cinco dias ficou trancado em sua oficina, saindo só para visitar a torre do Relógio, o único amigo que lhe restava. No sexto dia ele não foi visto em parte alguma, e no sétimo um novo relojoeiro havia chegado à cidade e se instalado em sua antiga oficina a chamado do Grupo. Ele modificou os relógios antigos e construiu relógios novos para ordenar o tempo, o único relógio que resistiu a suas tentativas foi o Relógio da cidade, o relojoeiro não conseguia entender seu complexo mecanismo e por mais que tentasse não conseguia mudá-lo.
O cantar do Relógio era cada vez mais melancólico e errante, o Grupo já não o aguentava mais, e ordenou que o relojoeiro o destruísse e construísse um relógio novo e magnífico. Em seus últimos momentos o velho Relógio badalou badaladas como gritos de tristeza, que cessaram quando ele se reuniu a seu amigo Zeit.
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